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terça-feira, 14 de abril de 2026

Levantamento detalha estratégia de PCC CV e TCP com grupos locais afetando 17 estados Expansão busca Rotas e mercados ilícitos acirrando disputa por poder no Nordeste entre eles o Rio Grande do Norte

O Mapa do crime organizado no Brasil: Facções nacionais se aliam a grupos regionais impactando o Rio Grande do Norte

Foto: da internet 


Uma investigação recente, detalhada pela Folha de S.Paulo com base em dados da Polícia Federal, polícias civis e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela uma profunda reconfiguração no cenário do crime organizado nacional. O levantamento aponta que as maiores facções do país, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP), forjaram alianças estratégicas com grupos regionais, expandindo sua influência para pelo menos 17 estados brasileiros, entre eles o Rio Grande do Norte. Essa articulação, motivada pela busca por expansão territorial e o domínio de mercados ilícitos, sobretudo o tráfico de drogas, acende um alerta sobre o impacto direto na segurança pública e na vida diária dos cidadãos potiguares e de todo o país, intensificando a sensação de vulnerabilidade.


A apuração destaca que tais alianças possuem um caráter pragmático. Facções nacionais buscam fortalecer sua presença e otimizar custos operacionais, dividindo funções com organizações locais. Essa estratégia visa ampliar o controle sobre o tráfico de entorpecentes e outras atividades criminosas, redefinindo o panorama da criminalidade no Brasil.


No Rio Grande do Norte, o levantamento identificou a atuação do Sindicato do Crime, uma facção local que mantém conexões com o Terceiro Comando Puro (TCP). Esta dinâmica reflete um padrão nacional, onde grupos regionais preservam certa autonomia, mas recebem apoio logístico e de fornecimento de drogas das facções nacionais, facilitando a articulação em rotas interestaduais e internacionais.


Especialistas entrevistados pela reportagem indicam que o crime organizado no Brasil evoluiu de uma atuação isolada para uma complexa rede de alianças que atravessa estados e até fronteiras. Bruno Paes Manso, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP, explica que a configuração dessas articulações é moldada pelas "necessidades históricas" de cada facção. Nesse contexto, o TCP, por exemplo, tem se expandido ao se alinhar com grupos que resistem à influência do Comando Vermelho.


O Primeiro Comando da Capital (PCC), por sua vez, consolidou um modelo de atuação mais estruturado, com forte foco em logística e articulação internacional. A partir de 2016, a facção paulista ampliou significativamente sua presença fora de São Paulo, concentrando esforços em estados do Norte e Nordeste. O objetivo é claro: garantir acesso a rotas estratégicas e mercados consumidores, transformando o Brasil em um hub logístico vital para o envio de drogas à Europa, Ásia e África.


O estudo também revelou uma redução relativa nos confrontos diretos entre facções em algumas regiões, um contraste com o passado recente. No entanto, essa diminuição da violência não sinaliza enfraquecimento das organizações criminosas, mas sim uma mudança estratégica. "Os grupos perceberam que, quanto menos guerra, menos custo", avalia Bruno Paes Manso, destacando a busca por maior eficiência nas operações criminosas.


As alianças são cruciais na disputa por rotas do tráfico. Entre os corredores mais visados estão a Rota Caipira (Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e São Paulo), a Rota do Alto Solimões (Amazônia), a Rota da Bolívia e a Rota do Vale do Juruá. Embora o Rio Grande do Norte não apareça diretamente nessas rotas principais, sua localização geográfica no Nordeste e a consolidação de facções articuladas o inserem ativamente na dinâmica nacional do tráfico de entorpecentes.


Para Guilherme Egydio, delegado do Centro de Inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro, a tendência é de crescimento dessas alianças. Ele observa que grupos como o TCP frequentemente atuam como intermediários na expansão do PCC em certas áreas. O delegado ressalta que o PCC adotou uma estratégia mais organizada fora de São Paulo a partir de 2017, oferecendo drogas a preços mais competitivos e buscando cooptar lideranças locais.


A coordenadora do Centro de Inteligência e Análise Telemática, Ages Macedo, enfatiza que o combate ao crime organizado deve ir além dos executores, focando prioritariamente nas lideranças e nas robustas estruturas financeiras das facções. Ela alerta para a constante troca de informações entre essas organizações, o que complexifica as investigações. A articulação entre facções nacionais e grupos locais reforça a urgência de estratégias integradas e eficazes de segurança pública para proteger a sociedade


Fonte: do Folha de S.Paulo

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